Mapas conceituais: aprendendo de forma significativa

Os mapas conceituais (MC) são uma ferramenta poderosa para incrementar o processo de aprendizagem. Criados por Joseph Novak na década de 70, os MC são definidos como diagramas gráficos contendo conceitos, ideias, informações e relações entre conceitos, que auxiliam na organização das ideias durante a aquisição de novas informações.

O mais interessante dos MC é que eles possuem um arcabouço teórico muito sólido, além de serem uma ferramenta que irá tornar seus estudos mais dinâmicos e produtivos.

Portanto, no post de hoje traremos as informações mais relevantes relacionadas aos MC e te mostraremos passo a passo como confeccionar os seus.

Com certeza, aplicando as informações dispostas nesta postagem, você terá ganhos expressivos na sua aprendizagem, aprendendo de forma mais significativa e acelerada.

Antes de começarmos, é importante fazer o seguinte alerta: os mapas conceituais são diferentes dos mapas mentais e já explicamos isto em outro artigo, que você pode acessar por este LINK.

Dito isso, vamos iniciar nossa jornada sobre os mapas conceituais!

Aprendizagem significativa

A construção dos mapas conceituais é baseada na teoria da aprendizagem significativa, proposta por David Ausubel em 1968. De forma simplificada a teoria baseia-se na premissa de que para que o aprendizado seja significativo, o conteúdo estudado deve estar relacionado com o conhecimento prévio daquele que está estudando.

Isto significa que quando estamos adquirindo um assunto novo, nosso cérebro busca o tempo todo fazer associações dinâmicas com aquilo que já sabemos ou dominamos.

Ainda a respeito da aprendizagem significativa, Ausubel propôs que ela ocorre por recepção e descoberta, sendo necessárias três condições para aprender desta maneira:

  • A utilização de um material claro, bem organizado e que seja condizente com seu nível de conhecimento.
  • Ter conhecimento prévio que esteja relacionado ao assunto.
  • Vontade de aprender de forma significativa e aprofundada.

Utilize materiais de qualidade

A respeito da utilização de materiais claros e de qualidade, já enfatizamos a importância deste item em outras postagens do nosso blog. No entanto, este assunto é tão relevante que iremos abordá-lo novamente.

Seja qual for o seu objetivo ao estudar, é preciso que você aprenda com materiais que se adequem ao seu nível de conhecimento.

Digamos que você deseja aprender uma nova habilidade para incrementar seu currículo profissional, como design gráfico utilizando o software Corel Drawn.

Inicialmente, se você não tem conhecimento algum sobre informática básica, não adianta você querer aprender a fazer gráficos elaborados na plataforma.

É preciso ter um conhecimento prévio para que você tenha êxito neste processo, que neste caso está relacionado com o “basicão” da informática. Somente possuindo esta habilidade será possível aprender algo mais específico.

O exemplo que utilizamos, parece um pouco bobo, mas vale para qualquer assunto que você esteja aprendendo. Frequentemente vemos pessoas reclamando que não conseguem compreender determinado conteúdo ou que estão demorando muito para avançar naquele item.

Na grande parte das vezes, isso acontece porque estas pessoas não possuem o conhecimento básico suficiente para engrenar na aprendizagem do assunto novo.

Por este motivo, é primordial que você esteja atento as suas dificuldades: não é feio estudar por um material mais básico no começo, feio é ficar perdendo tempo tentando entender algo que ainda é muito difícil pra você.

Sendo assim, sempre que for preciso dê um passo atrás e selecione um material mais básico e adequado para seu nível de conhecimento. Você irá perceber que os ganhos em produtividade e velocidade de aprendizagem serão expressivos.

Não “economize” ou faça você mesmo

Ainda relacionado à utilização de materiais de qualidade, sugerimos que você não “economize” neste item. E aqui não estamos falando apenas em dinheiro, você pode e deve investir seu tempo nessa tarefa também.

Isso tudo, é devido ao fato de que estudar por um material bem estruturado, didático e que seja claro, é um diferencial e tanto para quem deseja aprender mais em menos tempo.

É claro que técnicas de estudo, disposição e força de vontade fazem muita diferença, mas se você estudar por um material pouco didático é bem provável que irá demorar muito mais para aprender.

Se a grana está curta, procure por artigos gratuitos na internet, vá a uma biblioteca pública ou peça materiais emprestados para algum amigo.

Atualmente, a internet facilita muito a busca por um material gratuito de qualidade e existem muitos cursos e cursinhos que disponibilizam seus materiais inteiramente grátis no Youtube.

Se o assunto que você estiver estudando é muito técnico e possui poucos materiais disponíveis, busque por assuntos relacionados, que sejam um pouco mais simplificados e que possam colaborar para a construção de uma base mais sólida, antes de enfrentar as informações mais complexas.

Alternar entre diferentes mídias também é algo muito importante nestes casos, pois isso procure por vídeos, podcasts e artigos de autores diferentes, quanto mais plurais forem seus materiais, melhor.

Se ainda assim, você possui apenas um único material e que é muito difícil de compreender, avance aos poucos e produza seus próprios materiais didáticos.

A boa notícia, é que os mapas conceituais são uma alternativa excelente neste caso, pois permitirão que você visualize as associações entre os conceitos, acelerando o processo de compreensão.

Associando informações

Uma das maneiras mais efetivas de criar memórias de longo prazo é associar as novas informações com aquilo que já temos conhecimento. Na verdade, como mencionamos anteriormente, nosso cérebro já faz este procedimento automaticamente, mas ainda é possível melhorar a eficiência deste processo.

Neste caso, os MC são uma ferramenta muito importante, pois possibilitam a criação de associações entre conceitos distintos, que ficam visualmente organizados e hierarquizados.

O principal objetivo do mapa conceitual é representar relações significativas entre conceitos na forma de proposições. Por isso, é importante que você esteja em dia com os “verbos” e termos de ligação para que consiga ser plural no momento de associar itens diferentes.

O simples fato de buscar associações que não estão claras em um primeiro momento, talvez seja um dos maiores benefícios dos MC, pois este procedimento propicia uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto. Consequentemente, incrementa a memorização destas informações em longo prazo.

Sempre que você interage com a informação, está dando um passo em direção a compreensão detalhada e a formação de uma memorização mais duradoura.

Para melhorar ainda mais esse procedimento, ao confeccionar um mapa conceitual imagine que está explicando este assunto para um leigo. Isso facilitará seu entendimento e seu cérebro se encarregará de trazer muitos questionamentos a respeito do assunto, facilitando a construção do mapa.

Força de vontade

Estudar por natureza, é uma tarefa que exige o mínimo de força de vontade. Afinal, é muito mais confortável assistirmos nossa série preferida do que se sentar sozinho para aprender aquele assunto que em muitas ocasiões não gostamos.

É justamente por isso, que se motivar para estudar é algo tão difícil para muitas pessoas. Elas estão trocando algo muito bom naquele momento, por uma tarefa “chata”, que são “obrigadas” a fazer.

Por este motivo, você deve estar ciente dos ganhos ao estudar. Batemos muito nessa tecla aqui no blog, pois não tem jeito. Ou você se convence que estudar é o melhor para você, ou toda a vez que for estudar entrará em uma grande batalha consigo mesmo.

E vejam, não somos nós que estamos falando isso. Foi uma das maiores referências da psicologia cognitiva (David Ausubel) quem afirmou que é preciso ter força de vontade para aprender de forma significativa.

Portanto, facilite a sua vida! Entenda que estudar é uma das melhores formas de mudar de vida e atingir seus objetivos. Utilize ferramentas como os mapas conceituas, para tornar o procedimento de estudos mais dinâmico e divertido.

Mude aos poucos sua percepção de que estudar é algo chato e moroso.

Além disso, tenha em mente que ler não é estudar, infelizmente esta é uma triste realidade para a maioria de nós. Você precisa interagir, questionar, anotar, desenhar, rabiscar, colorir e etc, para fazer com que a informação “entre na sua cabeça” de forma mais facilitada.

Se precisar de um empurrãozinho a mais com a força de vontade, temos um post que aborda muito bem essa questão e você pode acessá-lo por ESTE LINK.

A estrutura de um mapa conceitual

Agora que já explicamos os principais aspectos norteadores dos mapas conceituas, vamos entender como confeccioná-los.

Primeiramente, é importante compreender que os MC possuem três elementos principais:

  • Conceitos
  • Relações: dois conceitos ligados por um verbo
  • Questão focal: pergunta que direciona a construção do mapa.

Fonte: Aprendizagem significativa e mapas conceituais.

Percebam que a estrutura dos MC é muito simples, sendo que eles podem ser facilmente construídos a mão. Há também, a alternativa de confeccionar seus mapas conceituais utilizando-se de um software gratuito, o Cmaptools.

Um item interessante é adicionar cores ao seu MC, pois este é um fator que irá torná-los visualmente atrativos. Além disso, nos MC não é necessário ater-se somente às palavras-chave, sendo possível inserir o significado de conceitos inteiros.

A dica em relação a isto, é inserir apenas o significado de conceitos que você ainda não domina, ou que sejam muito importantes para a compreensão do mapa.

Abaixo vemos um exemplo de um mapa conceitual completo que tem como tema principal pesquisas sobre xadrez:

 

Fonte: Aprendizagem significativa e mapas conceituais.       

Um fator interessante a ser notado no exemplo acima é a forma hierárquica como as informações são dispostas. É como se o tema principal fosse um grande guarda-chuva que contém todas as informações, que vão sendo destrinchadas pelos conceitos e relacionadas entre si.

Além disso, o uso de cores também facilita a visualização das informações, que ficam melhor dispostas e visualmente agrupadas.

Utilizando os mapas conceituais

Agora que sabemos a estrutura lógica dos mapas conceituais, estamos prontos para utilizá-los em nosso dia a dia. Apesar da estrutura extremamente simples, não subestime o poder desta ferramenta.

Os usos são os mais diversos possíveis e você poderá adequá-los para suas necessidades, conforme as sugestões que fornecemos abaixo:

  • Adquirir e compreender novas informações
  • Apresentar conteúdos
  • Fazer sínteses
  • Fazer anotações estruturadas
  • Organizar aulas a serem ministradas
  • Analisar problemas complexos
  • Identificar soluções
  • Planejar ações

Os mapas conceituais vão atrasar meus estudos? 

   

Parece “trabalhoso” utilizar os mapas conceituais. Na verdade, qualquer técnica de estudo que você esteja disposto a utilizar, demanda um período de aprendizado inicial. No entanto, a confecção de um material sucinto e organizado, permite que você confeccione bons materiais de revisão e acelere sua aprendizagem.

No caso dos mapas conceituais, o tempo que você investirá na confecção de um mapa conceitual, evitará que você esqueça a informação facilmente. Como a curva do esquecimento não poupa ninguém, será necessário revisar e justamente por isso é que os MC são tão valiosos.

Ao mesmo tempo em que você adquire novas informações e trabalha fortemente para entendê-la de forma significativa, você já está confeccionando seu material de revisão.

Por este motivo, fique tranquilo se você achar que está “perdendo” tempo na confecção do material. No início será um pouco mais difícil, mas o procedimento será muito mais ágil com o tempo.

Além disso, os MC podem ser facilmente confeccionados pelo software Cmaptools, economizando ainda mais tempo. Iremos preparar uma vídeo aula ensinando como utilizar este programa, mas isto ficará para nossas próximas postagens.

Considerações finais

No post de hoje apresentamos com mais detalhes uma ferramenta poderosa para incrementar seus estudos e que lhe propicia aprender de forma significativa. Os mapas conceituais, que muitas vezes não confundidos com os mapas mentais, possuem uma estrutura própria e foram idealizados com base nos conceitos da psicologia cognitiva.

Isto significa que há um grande arcabouço científico por trás da estrutura desta ferramenta. Inclusive, nos baseamos em duas publicações científicas de autores brasileiros para escrever essa postagem e você pode conferi-las nestes links: Da Silva, Claro e Mendes, e Borges e colaboradores (2020).

Portanto, se você decidir apostar nesta ferramenta estará utilizando algo que tem fundamento e com certeza irá contribuir para sua aprendizagem. Permita-se fazer testes e verificar se ela se adequa às suas necessidades.

Nosso objetivo é dissecar as ferramentas e apresentar as melhores opções para seus estudos. No entanto, não nos cabe dizer se técnica A ou B é melhor, é você quem deve tomar essa decisão, baseando-se em nossos materiais e na sua experiência.

E aí, está gostando nos nossos materiais e das dicas sobre como melhorar seus estudos de forma agradável e dinâmica?

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